Do ensino médio ao doutorado: qual a formação dos candidatos a presidente em 2026?
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Do ensino médio ao doutorado: qual a formação dos candidatos a presidente em 2026?

Os 13 nomes apresentados à disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026 têm trajetórias educacionais bastante diferentes. Há candidatos com ensino médio e formação técnica, bacharéis, médicos, advogados e profissionais com pós-graduação, além de um presidenciável com doutorado e pós-doutorado.

O levantamento do Notícias do Ensino Superior mostra que a maioria dos candidatos chegou à educação superior. A formação acadêmica, no entanto, não constitui requisito constitucional para ocupar a Presidência e não deve ser interpretada isoladamente como indicador de capacidade para exercer o cargo.

A Constituição estabelece outros critérios de elegibilidade. Entre eles estão nacionalidade brasileira nata, idade mínima de 35 anos, pleno exercício dos direitos políticos, alistamento eleitoral, domicílio eleitoral e filiação partidária.

A escolaridade dos presidenciáveis ganha interesse adicional diante da dimensão do cargo. O próximo presidente administrará a estrutura do Poder Executivo Federal, participará da elaboração do orçamento e terá influência direta sobre políticas de educação, ciência, pesquisa, universidades e institutos federais.

Maioria dos presidenciáveis passou pelo ensino superior

Entre os candidatos de 2026 há trajetórias acadêmicas que passam por Direito, Medicina, Administração, História, Comunicação Social, Odontologia, Medicina Veterinária e outras áreas.

Confira a formação dos presidenciáveis:

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Tem formação profissional de torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Não possui graduação universitária. Sua trajetória educacional formal inclui a formação profissionalizante que antecedeu sua atuação como metalúrgico e dirigente sindical.

Flávio Bolsonaro (PL)
É bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes. Também possui pós-graduação em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e MBA em Empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Ronaldo Caiado (PSD)
É médico. Formou-se em Medicina e desenvolveu posteriormente sua carreira profissional na área médica, com atuação ligada à ortopedia e cirurgia.

Romeu Zema (Novo)
É formado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo. Antes da carreira política, desenvolveu sua trajetória profissional na gestão empresarial.

Augusto Cury (Avante)
É médico e tornou-se conhecido nacionalmente pela atuação como psiquiatra, escritor e pesquisador. A eleição de 2026 marca sua entrada na disputa eleitoral pela Presidência.

Renan Santos (Missão)
Tem ensino médio completo. Ingressou no curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, mas não concluiu a graduação.

Clariana Barão (DC)
É advogada e possui formação superior em Direito.

Hertz Dias (PSTU)
É professor e possui graduação em História.

Edmilson Costa (PCB)
Apresenta a formação acadêmica mais avançada em nível de pós-graduação entre os nomes deste levantamento. É graduado em Comunicação Social, doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e realizou pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma universidade.

Samara Martins (UP)
É formada em Odontologia e atua profissionalmente como dentista. Também possui trajetória ligada a movimentos sociais.

Rui Costa Pimenta (PCO)
É jornalista e possui formação superior pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo.

Veterinário Wilson Grassi (Democrata)
Possui ensino superior completo e formação em Medicina Veterinária.

Pablo Marçal (PRTB)
Empresário e influenciador, integra a relação dos 13 pedidos de candidatura apresentados para a disputa presidencial de 2026. Seu registro eleitoral ainda está sujeito à análise da Justiça Eleitoral.

Formação técnica também faz parte da trajetória presidencial

A presença de Lula entre os candidatos chama atenção para uma diferença importante entre formação profissional e ensino superior.

O presidente não possui diploma de graduação. Sua formação profissional ocorreu no Senai, onde realizou curso de torneiro mecânico.

O ensino técnico e a formação profissional têm características diferentes da graduação universitária. Por isso, não é adequado classificar um curso profissionalizante como diploma de nível superior.

No outro extremo da formação acadêmica está Edmilson Costa. Além da graduação em Comunicação Social, ele concluiu doutorado em Economia na Unicamp e posteriormente realizou pós-doutorado na mesma instituição.

Renan Santos apresenta outra situação: ingressou no ensino superior, no curso de Direito da USP, mas não concluiu a graduação. Dessa forma, sua escolaridade formal não deve ser apresentada como “superior completo”.

Direito e áreas da saúde aparecem entre as formações

Direito está entre as áreas presentes na trajetória dos candidatos.

Flávio Bolsonaro e Clariana Barão possuem graduação na área, enquanto Renan Santos chegou a cursar Direito, mas não concluiu a formação.

As profissões da saúde também aparecem entre os presidenciáveis. Ronaldo Caiado e Augusto Cury possuem formação em Medicina. Samara Martins é dentista, enquanto Wilson Grassi tem formação em Medicina Veterinária.

Romeu Zema representa a área de Administração. Hertz Dias tem formação em História e Rui Costa Pimenta, em Jornalismo.

As diferentes trajetórias mostram que não existe um perfil acadêmico único entre aqueles que buscam chegar ao Palácio do Planalto.

Diploma universitário não é exigido para ser presidente

Ter curso superior não é requisito para disputar a Presidência da República.

A legislação eleitoral não exige graduação, pós-graduação ou qualquer área específica de formação para o exercício do cargo.

Isso significa que um brasileiro que cumpra os requisitos constitucionais pode disputar a Presidência independentemente de possuir diploma universitário.

A distinção é importante porque escolaridade e elegibilidade são questões diferentes. Um candidato pode não ter frequentado uma universidade e, ainda assim, preencher os requisitos legais para concorrer.

Da mesma forma, possuir graduação, mestrado ou doutorado não confere vantagem jurídica na disputa.

Próximo presidente terá decisões importantes sobre educação superior

Independentemente da formação acadêmica de quem vencer a eleição, o próximo presidente terá responsabilidades diretamente relacionadas ao ensino superior brasileiro.

O governo federal mantém universidades e institutos federais, financia programas de assistência estudantil e participa das políticas nacionais de avaliação, regulação, ciência, tecnologia e pesquisa.

Também estão sob influência das decisões do Executivo programas como bolsas acadêmicas, financiamento estudantil e políticas de acesso à educação superior.

O Ministério da Educação integra a estrutura do Poder Executivo, enquanto instituições como Capes e outras estruturas federais executam políticas que alcançam graduação e pós-graduação.

As universidades federais, por sua vez, dependem do Orçamento da União para custeio e investimentos.

Presidente administra orçamento trilionário, mas não decide sozinho

A dimensão da responsabilidade pode ser observada pelo Orçamento Geral da União. Para 2026, o orçamento federal movimenta trilhões de reais e inclui recursos destinados a Previdência, pessoal, saúde, educação, programas sociais, investimentos e pagamento ou refinanciamento da dívida pública.

Isso não significa que todo esse dinheiro esteja livremente disponível para decisão presidencial.

Grande parte das despesas é obrigatória ou vinculada por regras constitucionais e legais. Há ainda recursos definidos pelo Congresso Nacional, incluindo emendas parlamentares.

Na prática, a Presidência precisa administrar políticas públicas dentro de limites fiscais, legais e orçamentários.

O presidente também depende do Congresso para aprovar leis, alterações relevantes no orçamento e propostas de emenda à Constituição.

Na Câmara dos Deputados, projetos dependem da formação de maiorias conforme o tipo de votação. No Senado ocorre dinâmica semelhante. Para uma proposta de emenda à Constituição, por exemplo, são necessários três quintos dos votos em cada Casa, em dois turnos.

Esse desenho institucional ajuda a explicar por que a gestão federal depende não apenas do presidente, mas também da relação com Congresso, ministérios, órgãos de controle, estados e municípios.

Formação acadêmica permite conhecer trajetória, mas não define capacidade de governo

Conhecer a escolaridade dos candidatos oferece ao eleitor uma informação objetiva sobre suas trajetórias pessoais e profissionais.

O dado, porém, tem limites.

Um diploma universitário comprova a conclusão de determinada formação acadêmica. Mestrado e doutorado demonstram níveis adicionais de formação, conforme as regras de cada modalidade. Nenhum desses títulos, isoladamente, mede capacidade administrativa, liderança política ou aptidão para governar.

Da mesma forma, a ausência de graduação não permite concluir, por si só, que uma pessoa tenha maior ou menor capacidade política.

Para avaliar as candidaturas, outros elementos podem ser examinados separadamente, como experiência profissional e administrativa, trajetória pública, propostas registradas, equipes apresentadas e planos para áreas como educação, economia, saúde, ciência e tecnologia.

Para o setor de ensino superior, um dos pontos centrais da campanha será justamente observar quais políticas cada candidatura apresenta para universidades, estudantes, pesquisadores e instituições públicas e privadas.

Formação dos presidenciáveis em resumo

Candidato Partido Formação acadêmica/escolar
Luiz Inácio Lula da Silva PT Formação profissional em tornearia mecânica pelo Senai; sem graduação
Flávio Bolsonaro PL Direito; pós-graduação em Políticas Públicas; MBA em Empreendedorismo
Ronaldo Caiado PSD Medicina
Romeu Zema Novo Administração de Empresas
Augusto Cury Avante Medicina
Renan Santos Missão Ensino médio; cursou Direito na USP sem concluir
Clariana Barão DC Direito
Hertz Dias PSTU História
Edmilson Costa PCB Comunicação Social; doutorado em Economia e pós-doutorado
Samara Martins UP Odontologia
Rui Costa Pimenta PCO Jornalismo
Wilson Grassi Democrata Medicina Veterinária
Pablo Marçal PRTB Formação a ser detalhada conforme documentação declarada à Justiça Eleitoral

Nota: pedidos de registro de candidatura podem estar sujeitos a análise da Justiça Eleitoral. As informações acadêmicas devem ser atualizadas caso candidatos ou instituições apresentem documentação adicional.

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