Um abismo de R$ 40 bilhões: como a evasão ameaça a sustentabilidade no Ensino Superior
FOTO Anderson Prado FinancIes Divulgação NotíciasEnsinoSuperior
O setor de educação superior no Brasil enfrenta um desafio hercúleo que vai muito além das salas de aula: a sustentabilidade financeira diante de uma evasão galopante. Segundo dados apresentados por José Fernando Montovani Micali, no FinancIES 2025, em Florianópolis, o impacto estimado desse fenômeno atinge a cifra impressionante de R$ 40 bilhões. Essa realidade desenha um cenário onde a eficiência na gestão acadêmica torna-se a única saída para a sobrevivência das instituições.
A anatomia do prejuízo
A análise setorial revela que a evasão não é um evento isolado, mas uma “espiral descendente” que compromete a captação, a saúde financeira e, consequentemente, a capacidade de investimento em qualidade. Micali destaca que, dos 30 cursos com maiores faturamentos, há uma concentração drástica de resultados: 80% do faturamento provém de uma parcela restrita de cursos, enquanto a vulnerabilidade de outros pode colocar toda a operação em risco.
O cálculo da perda é direto e doloroso para os gestores. Considerando uma turma de 100 alunos com mensalidade de R$ 1.000,00 e uma taxa de evasão que decresce de 25% no primeiro ano até 2% no último, o Lifetime Value (LTV) da coorte é severamente impactado. A perda estimada por aluno pode variar de R$ 1.500 a R$ 15.000, dependendo da faixa de confiança da análise estatística aplicada.
Da reação à predição com IA
Para combater esse cenário, a proposta de Micali transita da análise reativa para a inteligência preditiva. Atualmente, muitas instituições ainda operam com relatórios simples que apenas dizem “o que aconteceu”. O caminho para a excelência exige o uso de Business Analytics e Inteligência Artificial para responder “o que acontecerá a seguir” e “qual o melhor que pode acontecer”.
A implementação de um “Centro de Inteligência” permite que as IES utilizem métodos estatísticos e aprendizagem de máquina especializados no negócio educação. Isso inclui a criação de um “Perfil Financeiro para Negociações Inteligentes” e uma “Análise Preditiva Determinística de Evasão”, que permite intervenções antes que o aluno decida abandonar o curso.
O Plano para a Sustentabilidade O plano de ação sugerido visa transformar a espiral descendente em uma “espiral ascendente com dificuldades decrescentes”. As etapas envolvem:
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Gestão da Permanência: Automação de réguas de relacionamento eficazes e análise preditiva.
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Gestão Acadêmica de Alto Desempenho: Uso de Cockpits para reitores, coordenadores e professores, além de NPS estendido.
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Inovação Tecnológica: Adoção de Adaptive Learning e IA Generativa para personalizar a jornada do aluno.
O objetivo final é claro: reduzir as taxas de evasão em degraus estratégicos (de 15% para 8% e, por fim, 5%), garantindo que a Inteligência Artificial cuide do sucesso do aluno enquanto os gestores focam na sustentabilidade do negócio. Somente com dados precisos e tecnologia de ponta será possível estancar a sangria financeira e garantir o futuro da educação superior no país.