Inteligência artificial como antídoto para a evasão no ensino superior
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Inteligência artificial como antídoto para a evasão no ensino superior

FOTO Anderson Prado FinancIes Divulgação NotíciasEnsinoSuperior

O setor de educação superior no Brasil enfrenta um desafio crônico que compromete não apenas o desenvolvimento acadêmico, mas a saúde financeira das instituições: a evasão de alunos. Contudo, novos dados apresentados pela Principia revelam que a tecnologia, especificamente a inteligência artificial (IA), tornou-se a ferramenta mais eficaz para reverter esse cenário, permitindo intervenções precisas antes que o estudante decida abandonar o curso.

O poder preditivo contra o abandono escolar

De acordo com o levantamento apresentado, por Diogo Fonseca, FinancIes 2025, em Florianópolis, a aplicação de modelos de IA na gestão da permanência gerou resultados expressivos em curto prazo. No ensino presencial, instituições que adotaram sistemas inteligentes registraram uma redução de 29% na evasão em apenas seis meses. No ensino a distância (EAD), modalidade historicamente mais vulnerável à desistência, a queda foi de 25%.

Esses números são possíveis graças ao “score de permanência”, um indicador calculado por algoritmos que analisam o comportamento do aluno em 360 graus. O sistema identifica padrões — desde a frequência no portal acadêmico até atrasos pontuais em mensalidades — para classificar o risco de evasão em níveis: muito alto, alto, médio e baixo.

Integração de dados e o ecossistema de retenção

Nossa reportagem apurou que a eficácia da IA depende da integração de três pilares: gestão financeira, ERP acadêmico e atendimento humano. A solução apresentada pela Principia demonstra que tratar a inadimplência de forma isolada é um erro comum. A verdadeira retenção ocorre quando a instituição utiliza os dados para oferecer suporte direcionado, como financiamentos inteligentes ou apoio pedagógico, no momento exato da crise do aluno.

Em um exemplo prático, o uso de réguas de comunicação automatizadas e personalizadas por IA permite que a faculdade dialogue com o estudante de forma proativa. Se o sistema detecta um “risco muito alto”, a intervenção deixa de ser automatizada e passa a ser um contato humano estratégico, focado na resolução do problema específico do discente.

Sustentabilidade e o futuro das instituições

Para além do sucesso acadêmico, o impacto financeiro é direto. Com mais de 1.000 parceiros e movimentando cerca de R$ 3,6 bilhões anualmente, o uso dessas ferramentas provou ser um divisor de águas para as IES privadas. A redução da inadimplência, que chega a cair 22% com o suporte de sistemas inteligentes, libera recursos para que as instituições invistam em qualidade e inovação.

O cenário desenhado para os próximos anos é claro: a inteligência artificial não substituirá o contato humano nas universidades, mas servirá como o cérebro que organiza a operação. Instituições que ignorarem a análise preditiva de dados estarão fadadas a lutar contra uma evasão que já não pode ser combatida apenas com métodos tradicionais. A era da gestão baseada em evidências chegou para garantir que o aluno permaneça onde ele mais precisa estar: estudando.

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