Enamed 2026 revela disparidade entre cursos públicos e privados de Medicina
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Enamed 2026 revela disparidade entre cursos públicos e privados de Medicina

Os resultados da primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), divulgados em janeiro de 2026, revelaram um cenário de forte contraste no ensino médico brasileiro. Enquanto universidades públicas federais e estaduais mantiveram altos índices de excelência, cerca de 30% dos cursos de Medicina do país obtiveram conceitos considerados insatisfatórios.

O Enamed substituiu o modelo tradicional do Enade para os cursos de Medicina e passou a cumprir dupla função: avaliar a qualidade da formação médica e servir como critério de pontuação para o Enare (Exame Nacional de Residência Médica).

Ao todo, 351 cursos de Medicina foram avaliados em todo o Brasil.

Panorama nacional dos resultados

Segundo os dados consolidados do Ministério da Educação, a distribuição dos conceitos foi a seguinte:

  • Conceito 5 (excelente): 49 cursos (13,6%)

  • Conceito 4 (alto desempenho): 114 cursos (32,4%)

  • Conceito 3 (satisfatório): 81 cursos (23%)

  • Conceitos 1 e 2 (insatisfatórios): 107 cursos (30,4%)

Os cursos com notas 1 e 2 apresentaram proficiência média inferior a 60%, índice abaixo do parâmetro mínimo considerado satisfatório pelo MEC.

O Top 10 nacional (melhores notas)

Considerando o volume de alunos e a complexidade da prova, estas foram as instituições com o melhor desempenho proporcional (acima de 97% de aproveitamento):

Posição Universidade Campus / Estado % de Proficiência
UFMS Três Lagoas / MS 100%
UFSCar São Carlos / SP 100%
USP São Paulo / SP 98,8%
UFV Viçosa / MG 98,0%
USP Ribeirão Preto / SP 97,9%
UNICENTRO Guarapuava / PR 97,5%
FCMSCSP (Santa Casa) São Paulo / SP 97,5%
UFBA V. da Conquista / BA 97,4%
UNIVASF Petrolina / PE 97,4%
10º UNIVASF Paulo Afonso / BA 97,3%

Diferenças regionais no desempenho

Os resultados mostram concentração de notas baixas, principalmente, em regiões que registraram forte expansão recente de cursos privados de Medicina.

  • Sudeste: reúne tanto os melhores quanto os piores resultados, reflexo do grande número de cursos avaliados.

  • Nordeste: desempenho positivo nas universidades federais e estaduais, com alerta em instituições privadas.

  • Norte: uma das regiões proporcionalmente mais afetadas por notas 1 e 2.

  • Centro-Oeste: concentração de resultados críticos em faculdades privadas e municipais, especialmente em Goiás.

  • Sul: médias sólidas nas universidades públicas, com registros de notas baixas em instituições privadas de Santa Catarina.

Destaques positivos por estado

Apenas 49 cursos em todo o país alcançaram a nota máxima (5). Entre os principais destaques:

  • São Paulo: liderança em excelência, com USP, Unicamp, Unesp (Botucatu), Famema, Famerp e instituições privadas tradicionais.

  • Minas Gerais: altos índices de proficiência, com cursos chegando a 98% de aproveitamento.

  • Bahia: bom desempenho de universidades federais e estaduais.

  • Distrito Federal: a Universidade do Distrito Federal estreou no exame com nota máxima.

  • Paraná: concentrou o maior número de notas 5 da Região Sul.

Estados em situação de alerta

Cursos que receberam nota 1 entram automaticamente em regime de supervisão do MEC. Entre as penalidades estão:

  • proibição de abertura de novas vagas;

  • redução de vagas existentes;

  • bloqueio de acesso a programas como Fies e ProUni.

Estados como Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Rondônia e Acre registraram instituições nessa faixa, com alguns cursos apresentando proficiência inferior a 40%.

Perfil das instituições avaliadas

O levantamento evidencia que o modelo de gestão é um fator decisivo no desempenho dos cursos:

  • Universidades públicas federais: média de proficiência de 83%

  • Universidades públicas estaduais: média de 86%

  • Instituições privadas com fins lucrativos: média de 57,2%

  • Instituições municipais: média de 49,7%

Enquanto mais de 80% dos cursos públicos ficaram nas faixas de excelência (notas 4 e 5), a maioria das faculdades privadas com fins lucrativos concentrou-se nas faixas de reprovação.

Consequências práticas

Entre os cursos com desempenho insatisfatório:

  • 54 cursos tiveram redução imediata de vagas (entre 25% e 50%);

  • 8 cursos foram proibidos de abrir novas turmas em 2026;

  • instituições com nota 1 tiveram bloqueio de novos contratos do Fies e ProUni.

Avaliação do MEC

O MEC avalia que o Enamed oferece uma leitura mais precisa da formação médica no país, ao integrar avaliação acadêmica e impacto direto na residência médica. O ministério também aponta que os dados devem orientar políticas de regulação, supervisão e eventual reestruturação de cursos com desempenho crítico.

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