Mapa 2025: EAD encosta no presencial; ensino cresce 5,6%
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Mapa 2025: EAD encosta no presencial; ensino cresce 5,6%

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O Mapa do Ensino Superior 2025 aponta que as matrículas no Brasil cresceram 5,6% entre 2022 e 2023. O avanço foi puxado pela rede privada, com alta de 7,3% no período, que agora responde por 79,3% dos alunos do país. A fotografia mais marcante é a aproximação entre as modalidades: o presencial concentra 50,7% das matrículas e o EAD, 49,3% — aumento de 3,4 p.p. ante 2022, consolidando a tendência de equilíbrio.

Ao todo, o sistema já atende 9,98 milhões de estudantes em faculdades, centros universitários e universidades. Apesar do recorde, os desafios de acesso e permanência permanecem, com altas taxas de evasão em cursos presenciais e a distância nas redes pública e privada. A evasão no Brasil, considerada muito alta, atinge um em cada quatro estudantes, apenas no primeiro ano do curso superior.

Mapa do Ensino Superior 2025 mostra avanço de 5,6% nas matrículas e equilíbrio entre EAD (49,3%) e presencial (50,7%)

Rede privada expande; EAD segue em alta, mas desacelera

De 2013 a 2023, a concentração de matrículas na rede privada subiu 5,7 p.p., impulsionada pela EAD. Em 2023, as matrículas EAD cresceram 13,4%, enquanto o presencial caiu 1,0%. O ritmo, porém, desacelerou frente aos anos críticos da pandemia (em 2020, a EAD avançou 26,8%).

A rede pública mantém capacidade limitada de expansão: +7,1% no total de matrículas entre 2013 e 2023, ante +46,7% na privada. Entre os calouros, o presencial subiu 1,4% em 2023 — desempenho alavancado pela rede pública (+5,3%).

Acesso cresce, permanência preocupa

Mesmo com quase 10 milhões de estudantes, a evasão segue elevada e, em alguns cursos, ultrapassa 60%. O dado reforça a necessidade de políticas robustas de permanência, especialmente para perfis mais vulneráveis.

Programas federais como Fies e Prouni perderam fôlego na última década — com redução de benefícios e de vagas efetivamente preenchidas —, o que afeta o acesso de estudantes de baixa renda e pressiona a permanência até a conclusão da graduação.

Quem estuda EAD e por quê

A privada detém 95,9% das matrículas EAD e 63,1% das presenciais. A modalidade a distância cresce por valores mais acessíveis, capilaridade de polos e uso de tecnologias, enquanto o presencial mostra estabilização após a retomada pós-pandemia. A projeção do estudo é que o Censo 2024 traga EAD já acima do presencial em número de alunos.

Tendências que chamam atenção

  • Envelhecimento ativo no campus: entre 2013 e 2023, a faixa 60+ foi a que mais cresceu nas duas modalidades. No presencial, +22% (única faixa com alta). Na EAD, o avanço foi de +672%, 154 p.p. acima dos jovens até 24 anos.

  • Concentração de mercado: em 2013, 3,4% das mantenedoras detinham 52,5% das matrículas; em 2023, 3,5% concentram 69,4% (+16,9 p.p.), aumentando o peso das grandes redes.

  • Áreas em movimento: no presencial, Computação e TIC cresceram 15,1% (2022→2023), em linha com a demanda por profissionais de tecnologia. Na EAD, o salto foi em Agricultura, Silvicultura, Pesca e Veterinária, com +33,6%.

Por que importa

O avanço da EAD amplia acesso e descentraliza a oferta, mas não resolve sozinho a baixa escolarização líquida dos jovens (18–24 anos). Para transformar expansão em mobilidade social, especialistas defendem apoio à permanência, qualidade acadêmica, práticas presenciais bem estruturadas e integração com o mercado de trabalho.

Enquanto a rede privada seguiu como motor do crescimento, a pública ainda carece de expansão planejada e financiamento sustentável. No horizonte, o novo marco regulatório do EAD deve recalibrar a modalidade, ao exigir mais presença física e estruturas de apoio nos polos — um teste para qualidade e custo das ofertas.

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