Novo marco do EAD exige mais presença e estrutura nos polos; instituições têm dois anos para se adequar
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O ensino a distância (EAD) no Brasil passará por uma transformação. Com o novo marco regulatório promovido pelo Ministério da Educação (MEC) — regulamentado pela Portaria nº 506/2025 e pelo Decreto nº 12.456/2025 — as instituições terão dois anos para se adequar a novas exigências de infraestrutura, atividades presenciais e governança acadêmica. O prazo final informado é 19 de maio de 2027. O MEC não informou que retomará as visitas aos polos EAD, mas sim que intensificará o monitoramento e a avaliação, que podem incluir visitas presenciais ou virtuais, como parte de um novo marco regulatório para o ensino a distância. Mesmo assim, algumas instituições já alertaram aos polos parceiros para ficarem atentos à possibilidade de agendamento de visitas por professores indicados pelo Inep/MEC.
Na prática, redes que operam com polos pequenos e estrutura enxuta precisarão rever operações para manter cursos ativos. Entre as mudanças, o MEC reforça a obrigatoriedade de atividades presenciais, impõe padrões mínimos aos polos e cria limites anuais para abertura de novas unidades conforme o desempenho institucional.
O que muda nos polos de EAD
Infraestrutura mínima obrigatória até 19/5/2027:
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Recepção e sala de coordenação;
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Ambientes de estudo individuais e coletivos, dimensionados ao número de alunos e às atividades dos cursos;
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Laboratórios e espaços formativos compatíveis com as práticas dos cursos;
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Equipamentos e internet estável e de alta velocidade.
Regras adicionais:
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Fim do compartilhamento de polos entre IES diferentes (prática comum até então);
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Responsável de apoio acadêmico no polo (além do tutor), para avaliações presenciais, estágios, extensão e práticas profissionais;
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Monitoramento e visitas in loco pelo Inep/MEC “a qualquer tempo”.
Docentes, mediadores e avaliações
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Docentes dos cursos semipresenciais e EAD: pós-graduação obrigatória.
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Mediadores pedagógicos: graduação (preferencialmente com pós).
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Coordenação, professor regente e conteudista com atribuições definidas.
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Unidades curriculares EAD (parciais ou integrais) devem ter mínimo de 10 semanas e ao menos uma avaliação presencial obrigatória.
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Provas presenciais não entram no cômputo da carga horária presencial do curso.
Limites para expansão de polos
O novo marco reduz e grada a criação anual de polos conforme organização acadêmica e conceito institucional da IES (exemplos):
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Faculdades com conceito 5: até 30 polos/ano; conceito 4: até 20; conceito 3: até 10.
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Universidades com conceito 5: até 60 polos/ano; centros universitários/faculdades com conceito 5: até 50; conceito 4: até 40; faculdades com conceito 3: até 20.
A Seres/MEC pode suspender temporariamente a criação de novos polos se encontrar deficiências de infraestrutura, incompatibilidades entre vagas e capacidade ou irregularidades.
Transição e efeitos no mercado
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Adequação em dois anos para polos existentes; novos cursos e polos já devem cumprir integralmente as regras.
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Cursos integralmente presenciais (ex.: Enfermagem) e semipresenciais (como Engenharias) começam a aparecer com “última chance” para ingresso sob regras antigas; outras IES já ofertam graduações conformes ao novo marco.
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Segundo entidades do setor, a mudança é factível no prazo, mas exigirá investimentos em laboratórios, bibliotecas, atendimento presencial e revisões curriculares — com possível descontinuidade de cursos exclusivamente a distância em áreas práticas.
Por que importa: o objetivo declarado do MEC é elevar a qualidade, reduzir assimetria entre promessa e entrega nos cursos EAD e garantir condições reais de aprendizagem — tema sensível após anos de expansão acelerada da modalidade.
Serviço — o que as instituições precisam observar
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Até 19/5/2027: todos os polos devem cumprir a infraestrutura mínima e ter responsável de apoio acadêmico.
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Imediato (para novos atos/cursos): regras de corpo docente/mediadores, avaliações, materiais/plataformas e parâmetros de polos.
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Sem compartilhamento de polos com outras IES (há exceção com parcerias formais quando uma IES é exclusivamente presencial, com regras de identificação e não concomitância de uso).
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Distribuir as vagas autorizadas entre os polos, respeitando a capacidade de cada um.