A morte do ensino superior tradicional: Ryon Braga projeta o modelo “just-in-time”
FOTOS Anderson Prado FinancIes Divulgação NotíciasEnsinoSuperior
O modelo educacional que sustentou as Instituições de Ensino Superior (IES) nas últimas décadas chegou ao seu limite. Em uma apresentação contundente no FinancIES, em Florianópolis, o professor Ryon Braga, CEO da Rede Multiversa, sentenciou: “o modelo atual não se sustenta no futuro”. Para ele, a sobrevivência das instituições depende de uma migração urgente para o just-in-time learning — uma educação totalmente sob demanda, alinhada à velocidade das transformações sociais e tecnológicas.
O colapso do modelo convencional
Segundo Braga, o setor vive uma crise de identidade e eficácia. Enquanto as IES tradicionais ainda se apegam a estruturas rígidas, o mercado exige agilidade. A análise apresentada mostra que a produtividade de um colaborador hoje não depende apenas do “saber” técnico, mas de uma combinação entre habilidades cognitivas, socioemocionais e, principalmente, um mindset engajado.
O diagnóstico é claro: o EAD tradicional, focado apenas em escala e baixo custo, está saturado. A nova fronteira está no “EAD semipresencial de alto valor agregado”, que utiliza a tecnologia para o conteúdo teórico, mas reserva o espaço físico para a aplicação prática e o desenvolvimento de competências reais.
A nova arquitetura da aprendizagem
A proposta de Braga para as pequenas e médias IES envolve a criação de ecossistemas de relacionamento com a comunidade. O polo educacional deixa de ser apenas uma unidade de apoio para se tornar um integrador com o setor produtivo. Nesse cenário, o currículo deve ser integralmente baseado no desenvolvimento de competências, abandonando a cultura da “decoreba” em prol da resolução de problemas.
Para garantir a empregabilidade — o novo indicador de sucesso de uma IES —, o especialista defende a implementação de aceleradoras de carreira e sistemas de match com vagas reais. A ideia é reduzir o hiato entre o que se ensina na academia e o que as empresas realmente demandam.
Onde estão as oportunidades de crescimento
Apesar do cenário desafiador, Braga enxerga janelas de oportunidade para instituições que aceitarem a mudança metodológica. Os dados sugerem que o sucesso futuro virá da criação de redes de relacionamento fortes (networking) para os estudantes, envolvendo mentores voluntários e empresas demandantes desde o primeiro semestre.
A transição para o ensino híbrido não é apenas uma escolha tecnológica, mas uma necessidade de gestão. O “EAD 4.0” deve ser focado em experiências pedagógicas inovadoras, onde o professor atua como um mentor da aprendizagem e não mais como o detentor único da informação. Para Braga, a velocidade da mudança é limitada apenas pela capacidade humana de adaptação, mas o tempo para as IES iniciarem essa jornada está se esgotando rapidamente.